segunda-feira, 28 de maio de 2012

Professores em extinção!


A  EXTINÇÃO DOS PROFESSORES

O ano é 2.020 D.C. - ou seja,  daqui a nove anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a  partir da seguinte interpelação:

- Vovô, por que o mundo está  acabando?

A calma da pergunta revela a  inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

- Porque não existem mais  PROFESSORES, meu anjo.

- Professores? Mas o que é  isso? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que  professores  eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de  maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e  ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no  mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam  as pessoas a pensar. 

- Eles ensinavam tudo isso? Mas  eles eram sábios?

- Sim, ensinavam, mas não eram  todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros  professores, e eram amados pelos alunos.

- E como foi que eles  desapareceram, vovô?

- Ah, foi tudo parte de um plano secreto e  genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da  sociedade. O vovô não se lembra  direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito.  Eles acabaram  com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar  estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma  coisa, os  alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo  para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender  alguma coisa.

Depois,  muitas famílias  estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser  vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a  dizer "eu estou pagando e você tem que me ensinar", ou "para que estudar se meu pai não  estudou e ganha muito mais do que você" ou ainda "meu pai me dá mais  de mesada do que você ganha". Isso quando não iam os próprios pais gritar  com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de  escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na  qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os  professores, dizendo que eles não estavam conseguindo "gerenciar a relação  com o aluno". O  professores eram vítimas da violência - física, verbal e moral - que lhes  era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo  mundo. 

Além disso, qualquer proposta  de ensino sério e inovadora sempre esbarrava na obsessão dos pais com a  aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. "Ah,  eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho  passar no vestibular", diziam os pais nas reuniões com as escolas. E  assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no  vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de  idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os  trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e  nunca mais ninguém  precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram  desmoralizados. Seus salários foram  gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à  profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha  algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram  descrentes da educação, pois viam que as pessoas "bem sucedidas" eram  políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol,  artistas de novelas da televisão - enfim, pessoas sem nenhuma formação ou  contribuição real para a  sociedade.


ATENÇÃO: Qualquer semelhança com a  situação deste País ultrajado. é mera coincidência.

" A distância de um sonho se  torna mais curta quando você acredita que pode  realizá-lo". Mônica Marback Descrição: http://gfx2.hotmail.com/mail/w4/pr04/ltr/i_safe.gif

Nenhum comentário:

Postar um comentário